- O que você esta fazendo? - perguntei em meio ao desespero de estar caindo.
Nossos rostos estavam em uma proximidade perigosa, mais ou menos dois ou três centímetros me afastavam de seu rosto, entretanto eu podia sentir sua respiração contra a pele de meu rosto, nossos olhos se encontraram por um segundo. Não havia nenhuma antipatia, provocação ou tão pouco o ódio que havia sido aceso por nós desde quando nos conhecemos, em seu lugar havia algo indecifrável que se passava por sua cabeça. Eu estava presa á seus olhos, tão profundos quanto o oceano, e tão belos quanto tais. Eu não sabia ao direito o que se estendia por dentro de minha alma, mas tinha certeza que ele a via.
- Se vamos morrer, ao menos podemos deixar nossa rivalidade para trás? - brincou ele. Eu o encarei pasma, um sorriso torto se esboçou em seus lábios, mas seus olhos eram impossíveis de se interpretar. Eu podia sentir a terra se aproximar, em quanto despencávamos em queda livre pela clareira intrigante.
Então fiz algo que não esperava. Eu abri um sorriso debochado.
- Nunca. - meu sorriso se alargou junto com o dele.
- Vamos ficar...
- Nem pense e dizer isto! - eu disse interrompendo-o imediatamente. Em meus pensamentos eu rezava para que Zeus impedisse que nós estatela-se no chão, desejava avidamente saber voar como Jason Grace (meu meio irmão mais velho) ou ter alguma coisa para que pudesse refrear a queda, mas não havia nada. Estava certa de que aquele seria o meu fim.
Alec riu tentando esconder o pânico que o envolvia como um denso lençol sufocante.
Então veio o choque.
Não esperava que fosse tão silencioso quanto fora, em menos de uma fração de segundos fomos ambos atingidos por uma água fria e dura. As mãos de Alec se estreitaram em minha volta, e por alguns segundos me senti a salvo ao seu lado. Nunca banquei a sentimentalista, não era o tipo de garota que se interessava fácil por alguém, afinal tinha coisas mais importantes para me preocupar, como por exemplo me manter viva, mas naquele momento me senti a salvo com ele, e no fundo feliz por ter caído com ele. Eu não sabia ao certo como explicar o que eu sentia, tão pouco entendia isto mas começava a suspeitar que estava me apaixonando... e isso não era bom, eu acho.
De repente Alec fora brutalmente afastado de perto de mim. A água parecia estar possuída por alguma coisa grande e perigosa. Tudo ficou azul escuro em minha visão, e por mais que eu tentasse nadar e voltar para superfície sempre era jogada para baixo. Eu tentei lutar, mas aos poucos meus membros pararam de receber meus comandos, eu não conseguia me mexer enquanto era lentamente engolida pelo silêncio das águas revoltas.
Senti minha cabeça se chocar contra algo duro e deduzi que era uma pedra, eu deveria estar no fundo. Minha visão começou a ficar turva, e o oxigênio começava a se esvair dos meus pulmões quando um braço me agarrou com força, tentei me debater enquanto era arrastada para trás quando vi os olhos - ainda que meio indistintos por conta da água. - verdes fitando-me com impaciência, seus olhos pareciam frustrados como se tentassem algo e não conseguisse.
Então ele envolveu minhas cinturas com os braços fortes e musculosos novamente e saltou em direção a superfície. Então tudo ficou escuro, eu cai em um precipício escuro e profundo.
***
Senti uma pressão insuportável vinda de meus pulmões e então um fluxo de água voltou de minha garganta escapando por minha boca em um engasgo. Eu podia sentir o vento soprando suavemente em meu rosto e o cheiro de uma névoa adocicado e terrivelmente enjoativo. Então fiz o que qualquer pessoa que quase morreu afogada faria, inspirei fundo, o mais fundo que pude e novamente me engasguei.
- Ei, vai com calma. - a risada rouca de uma voz conhecida ecoou por meus ouvidos. Ainda assim não consegui responde-la, parecia estar desconectada de meu corpo como se fosse prisioneira dele. Alec tocou me rosto por um tempo e então a afastou.
Aos poucos eu pude sentir a textura da grama por sobre minhas mãos, e enrolei-a em meus dedos forçando meus olhos a se abrirem. Primeiramente fui ofuscada pelo brilho intenso e então meus olhos aos poucos se adaptaram formando silhuetas negras e então pude distinguir Alec e as árvores que nos rodeavam, ainda que não fossem muitas, isto me fez questionar silenciosamente a onde estávamos.
- Então você está viva? - disse Alec com um meio sorriso debochado, mas seus olhos expressavam alivio.

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