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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Gosto por Sangue: Cap.1 - Desaparecidos .

    "Nada é mais enganoso do que a aparência de humildade. Frequentemente, é apenas descuido de julgamento, e as vezes, uma ostentação indireta."
Orgulho e Preconceito- Jane Austen.
  
    Encarando o sol nascer Lucy Graywood sentiu seus músculos se tensionarem, sua respiração se tornou entrecortada e os olhos ficaram de repente duros. O silencio que a acompanhava naquela visita atormentadora afim de rever fantasmas do passado a deixava atordoada, seus longos cabelos ruivos estavam presos em um rabo de cavalo enquanto á pobre garota olhava fixamente para um ponto adiante da tão famosa Brooklyn Bridge, a água parecia um espelho retorcido conforme o sol nascia, não deveria passar das 6 horas, e o frio causticante da chega do outono a fazia tremer ainda que usasse as grossas roupas de lã e jeans que sua mãe lhe dera no natal anterior e seu corpo estivesse quente por conta da longa corrida que havia feito até ali.
   Comprimindo os lábios em uma fina linha rígida ela fuzilou o sol com arrogância e um ódio mutuo contido. Alguns meses antes era ali que ela costumava correr com seu pai, não pelo fato de precisar fazer exercícios, no colégio onde estudava ela era uma das principais jogadoras de vólei feminino, e era boa no esporte. Todavia tudo mudou depois que seu pai, Ethan, desapareceu naquele mesmo lugar, a policia nova iorquina nunca descobriram de fato o porquê de seu pai ter desaparecido sem mais nem menos, e acabaram por concluir que Ethan simplesmente cansou-se da vida que levava com a família e abandonou-as sem mais nem menos.
    Ela sabia que deveria ter acreditado naquilo e ter seguido a vida como a mãe Angélica fizera, casando-se com outro homem - um homem londrino irritante que adorava pegar no pé de Lucy, principalmente quando esta se metia em problemas, o que era constantemente - mas Lucy por sua vez se recusava a acreditar que seu pai a havia abandonado assim desta forma sem ao menos dizer-lhe o porque desta decisão.
     Do outro lado da rua ela avistou sua melhor amiga, Chloe Mitchell, sua unica amiga depois que seu pai desaparecera.
    - Ei, o que faz aqui? - gritou Chloe do outro lado da rua acenando para que Lucy se aproxima-se. Os cabelos castanho escuro estavam chicoteando suas costas com brutalidade por conta do vento voraz, e seus olhos azul-escuro avaliavam-a com cuidado, o tipo de olhar que incomodaria profundamente Lucy se ela não estivesse tão compenetrada em seus devaneios ao passado.
    - Eu estou correndo.- explicou Lucy atravessando a rua e abraçando a amiga, ignorando o barulho que Chloe sempre fazia quando estava enojada.
    - Ah, Meu Deus! - exclamou Chloe repuxando levemente os lábios finos com uma grossa camada de batom vermelho vivo em um sorriso debochado. - Você está imunda!
   Lucy revirou os olhos e abaixou o capuz de sua jaqueta preta, antiga e esfarrapada, entretanto sua preferida entre todas as roupas que ela tinha. Ambas começaram andar em silencio.
      - Não esperava vê-la a uma hora dessas Chloe, não aos sábados! - sorriu Lucy.
     Chloe deu de ombros, mas não explicou o que á trouxera para ali ao em vez disto abriu um sorriso malicioso fitando algo que se encontrava á frente não muito distante, mas o suficiente para fazer com que Lucy pensasse em correr. Lançando um olhar malicioso Chloe disse:
      - Gato se aproximando...
      Lucy a encarou resignada.
      - O que?
     Chloe nada disse ergueu o queixo duplo em direção ao tal rapaz que se aproximava. Soltando um gemido baixinho Lucy se imaginou batendo a cabeça contra a parede que estava ao seu lado, ela sabia o que a melhor amiga faria a seguir ainda já que Chloe estava certa quando disse que o rapaz era bonito, tinha os cabelos negros como a noite e incrivelmente sedosos, uma mecha lisa caia por sobre seu olho o deixando com um ar ainda mais sexy do já era, sua pele era pálida meio corada ainda assim havia uma palidez espectral assombrosa nele, Lucy se perguntou se ele não era como aqueles assassinos em serie que apareciam nos filmes de terror, afinal ela podia sentir - quase apalpar - algo ameaçador exalando dele, como se fosse um aviso para ficar longe, os lábios eram carnudos e convidativos repuxavam-se em um meio sorriso que desapareceu quando os incríveis olhos azuis claros como o céu deveria ser em um dia límpido de verão, a encontraram. Havia algo diferente nos olhos dele, sentimentos ocultos que Lucy não reconheceu, todavia logo viu seu olhar se endurecer se tornando ainda mais ameaçador do que já era.
    - Hum, parece que ele gostou do que viu. - disse Chloe com um tom sedutor na voz.
    Lucy a fuzilou com os olhos cética, dando lhe claramente um aviso "nem pense em fazer isso!" era o que significava. Chloe pouco se importou em acatar a ordem da amiga, se aproximou do rapaz com um sorriso sedutor, arrastando Lucy consigo. Estava quase sendo obrigada em dizer um olá quando seu celular tocou . Ao visualizar a tela seus olhos castanhos quase dourados se endureceram.
   - Eu já venho. - disse Lucy, sentindo-se aliviada apesar da irritação estar explicita em seus olhos. Caminhando em direção a um beco Lucy atendeu a chamada no terceiro toque. - O que foi? - questionou ela com arrogância.
     - E o onde é que a encrenqueira está á uma hora dessas?  Não vai me dizer que está tentando roubar o banco? Sinto muito em lhe informar que não é uma boa ideia fazer isso, não acha? - perguntou seu padrasto, Tom com um tom irônico na voz.
   - Por que simplesmente não me deixa em paz?! - grunhiu Lucy entre dentes irritada.
   - Eu gostaria, mas sua mãe não voltou para casa desde ontem. E como ela sempre avisa a você para onde vai, achei que sabia, e então ladra você sabe? - interrogou Tom com uma voz baixa e ameaçadora.
    - Ela não voltou? - perguntou Lucy assustada, seu coração disparando irregularmente em seu peito.
    - Dã! Foi por isso que lhe perguntei, agora diga onde ela está! - ordenou Tom irritado.
   - COMO IREI SABER! - berrou Lucy irritada e ao mesmo tempo assustada com a ideia de a mãe ter sumido assim como o pai. - VOCÊ QUE ESTAVA COM ELA IDIOTA! - respirando fundo duas vezes, Lucy sentiu uma brasa terrivelmente forte tomar conta de seu corpo. - Se algo acontecer á ela eu juro que acabarei com você está me entendendo? - ameaçou Lucy e com isso desligou o telefone a procura de Chloe.
    Assim que voltou para onde a amiga deveria estar sentiu a surpresa atingi-la como um soco em seu rosto, nem Chloe e nem o rapaz estavam mais lá. Olhando a sua volta ela sentiu-se cada vez mais assustada quando não a encontrou. Não estava em nenhum lugar, nenhuma loja em lugar nenhum! Respirando fundo ela tentou se concentrar em achar a amiga desaparecida, foi quando ouviu um barulho próximo.

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