-Sim, eu gosto de ficar com você... Por enquanto. -Ele disse sorrindo, um sorriso convencido que quase me fez corar.
-Ta legal, então. Acho que se for assim, também posso dizer que é bom passar um tempo com você. -Digo dando de ombros e virando-me para ir até perto a sacada, onde encontrava-se um baú marrom em tamanho médio com meus textos dentro.
Andrew me seguiu.
-O que você tem ai? -Ele falou por cima de meu ombro enquanto tentava espiar o que tem dentro do baú.
-Coisas minhas que você nunca deverá mexer, certo? -Pergunto virando-me para ele, o que foi um erro pois ficamos muito próximos.. Até de mais.
Andrew assentiu.
-Certo. -Ele disse sem se afastar.
-Tudo bem. -Falei me encolhendo. Acho que isso foi um sinal pois ele se afastou e eu pude respirar aliviada, virei-me novamente para o baú e peguei um caderno com alguns textos
-Aqui. -Estendi o caderno para ele. -Aqui tem cinquenta textos meus, quero que jure que nunca vai mostrar isso a ninguém. -Falei.
Ele entendeu o braço para pegar o caderno mas eu o trouxe para traz.
-Jure. -Pedi novamente.
-Mas se você for realmente boa.. -Eu o interrompi.
-Jure. -Falei mais uma vez.
-Ta legal, eu juro.
E então eu dei o caderno a ele.
-Espero não me arrepender. -Murmurei
-Você é muito chata, sabia? -Perguntou ele em tom de brincadeira, eu acho.
-Olha, para quem disse que gostava de ficar comigo agora a pouco até que você mudou rápido de ideia. -Retruco brincando.
-Eu gosto de ficar com você porque você me trata de igual para igual e não como todos os outros.
-Você não deveria ter falado isso, Andrew. -Dou um sorriso sapeca.
-É eu sei. -Ele grunhiu baixinho e eu ri.
Sentei-me na cama e ele fez o mesmo
-Desde quando você escreve? -Perguntou-me.
-Desde os doze anos, mais ou menos.
-E nunca mostrou para ninguém?
-Além das redações na escola que eu tinha que mostrar aos professores? Não, nunca.
-Nem para seus pais?
-Muito menos.
-Por quê?
-Porque eu não gosto que pessoas muito próximas de mim leiam certas coisas, Andrew. Eu escrevo romance e acho que seria meio constrangedor mostrar isso a alguém da família.
Andrew não disse nada, mas assentiu.
-Vou cuidar dessas suas histórias com a minha vida. -Ele disse levando o caderno até seu peito.
-Obrigada. -Sussurro.
Continuamos em silêncio por mais uns segundos e então o relógio dele faz um barulinho.
Ele suspira.
-Preciso ir, precisamos marcar um novo encontro. -Fala ele e eu assinto.
-Até logo, Rafa. -Ele diz se levantando e deixando um beijo em minha bochecha.
E então ele sai e eu ouço a porta bater.

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