Eu encarei Valerie desesperada, meus olhos estavam marejados e sentia que iria perder o controle de minhas ações em poucos segundos. Minha "irmã" ? Pensei desesperada. Valerie por sua vez não mais tinha a expressão infantil e abandonada que adotara, por outro lado havia um brilho de coragem que eu invejava completamente, e algo indecifrável. Por sua expressão eu soube que ela tinha um plano, e eu temia o que seria.
- Quiron, isto não está certo! - eu comecei a dizer pouco me importando com os olhares surpresos que me lançavam. - Ela não pode...
- Eu vou Hayley. - disse Valerie confiante. Eu a encarei chocada.
- Não! - quase gritei, minhas mãos tremiam incontrolavelmente enquanto minha respiração acelerava. - Você não pode fazer isso!
- Não é sua escolha, é minha. E eu já tomei minha decisão. - disse ela seria e impenetrável.
- Mas que droga você tem na sua cabeça?! - gritei sentindo que todo o meu controle se fora completamente. - A troco do que quer se matar?! - agora as lagrimas escorriam pelo meu rosto. No fundo eu sabia que ela estava certa e eu sendo mesquinha e egoísta por desejar que qualquer outro de seus irmãos se apresentasse, mas não podia perder mais uma pessoa de minha família, depois de minha mãe, Valerie era minha unica amiga, minha irmã.
Ela me encarou irritada, mas seus olhos estavam marejados.
- E se fosse você?! Diga Hayley! - gritou ela no mesmo tom que eu. - O que você faria?! Deixaria seus irmãos morrerem para continuar viva?
- Garotas já chega! Ambas estão exaltadas, e o que está por vir meus heróis não será fácil! - Quiron disse com a voz calma apesar de seu tom ter sido sombrio e ameaçador.
Eu o encarei com uma raiva fulminante, ela não podia fazer aquilo! Valerie não merecia! Não merece! Mas nada disse por fim apenas encarei o chão irritada, foi quando a terra ao nosso redor estremeceu, o vento começou a soprar mais forte com uma violência impressionante o fogo crepitava com chamas em tons vermelhos escuros e quase pretos por pouco não atingindo a calda de Quiron, a terra tremeu com força e uma pequena fenda se formara no chão de qual saia faíscas de fogo, uma arvore caiu perto de onde eu estava e outra ficara aos pés de Leon o filho de Ares, antes que eu pudesse me recuperar do que acabara de acontecer sentir ser arremessada contra o chão.
Então houve o caus. Garotas gritavam, e em seus gritos por um momento ouvi meu nome apesar de não ser um grito de preocupação e sim assustado o que piorou as coisas. Abri meus olhos assustada, sentindo-me presa em baixo de alguma pessoa, mas assim que encarei o rosto descobri que era Alec quem me mantinha no chão, em cima de nossas cabeças a árvore (um antigo ipê roxo) queimava em chamas. Eu podia sentir o sangue escorrendo atrás de minhas orelhas, descendo por meu pescoço até meu colo, um zumbido sibilava em meus ouvidos deixando-me desorientada enquanto eu fitava maravilhada as chamas lamberem ferozmente a árvores. Ao longe eu podia ouvir Alec me chamar, berrar em meus ouvidos, todavia tudo parecia de repente distante.
Eu podia sentir uma dor incontrolável em minha cabeça como se estivesse sendo apertada contra a parede com toda força que tinham. Lento e agonizante, mas de algum modo por mais que eu tentasse me reerguer por mais que eu ouvisse os gritos de Valerie e Alec algo me prendia ali então eu ouvi uma voz em minha mente, uma voz grave, rouca e de longe familiar:
Concentre-se... Ele não pode mante-la assim por muito tempo... concentre-se!
Zeus havia falado comigo? O que ele queria dizer com "ele não pode mante-la assim por muito tempo"? Forcei meus pulmões a inalarem ar, expandindo-se de uma forma alarmadora e depois se contraindo ao sentir uma forte dor que vinha de alguma parte um pouco abaixo, aos poucos fui tomando novamente consciência de meu corpo o fogo ainda cintilava por sobre minha cabeça e a cabeça de Alec, todavia com menos intensidade quando consegui movimentar meu braço esquerdo pude ouvir Alec resmungar algo muito baixo e inteligível, mas sua expressão era de alivio, o que me intrigou muito.
Ele me puxou para frente e me ajudou a ficar de pé com a mão apoiada em minha cintura segurando-me com força para que eu não me desequilibra-se e viesse ao chão. Uma enorme ferida estava entalhada em meu abdômen não parecia profunda mas extremamente larga, podendo causar um dano irreparável.
Com um sibilo alto o vento ecoou por entre as arvores, o caus formado pelas arvores em chamas continuava, entretanto com menas intensidade. Mas havia algo mais assombroso em nossa frente, do lugar onde se formara a fenda um carro parecendo ser feito de nenhuma matéria e sim de apenas gás e sombras pairava pelo lugar. Ao meu lado ouvi Alec engolir em seco.
- A carruagem dos desesperados. - disse alguém um pouco atrás de nós, mas não era Valerie. Era Jack.

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